Rosa dos Ventos

Por Nathercia Lacerda

Muitas brincadeiras. Conversas, caminhadas e mais brincadeiras. Os brinquedos do acervo do Centro Lúdico da Rocinha como dispositivo para o fluir da convivência brincante e proseadora. Brinquedos como pretexto, como liga, como centro pulsante, como ponto de partida para brincar. Brincar e brincar!

A natureza, como bem precioso, guardando a todos e todas. Águas doces, águas salgadas, areias, barro vermelho, ervas, matas. Quilombo, aldeia caiçara, centro histórico. Parceiros de sempre: Nhandeva e Campinho da Independência.

Nossa retribuição e agradecimento pela amorosidade da convivência gerada em forma de brinquedo como uma cartografia lúdica. Desafio nosso criar um objeto que contivesse a exuberância da natureza, a alegria de estar junto, as nuances das cores, as inquietações das populações, a surpresa pelo inesperado, o sentido investigativo da educação.

A natureza, a convivência e as veredas percorridas apontaram para esboços que buscaram trazer intensidades. Idéias de tabuleiros indicando percursos por cachoeiras, praias, caiçaras, centro histórico, escolas e quilombos foram propostas. Conversas e idéias no ar. Nesse processo de criação coletiva o mapa-brinquedo da região de Paraty/RJ foi sendo delineado.

Nossas vivências e idéias, sintetizadas em um primeiro desenho, mostravam direções como um caminho de estrelas, uma bússola, uma rosa dos ventos. Estrela de oito pontas onde cada raio-triângulo apresenta uma cor. Amarelo claro, o dia, a luz, claridades. Azul da noite, dos escuros. Azul claro das águas salgadas. Verde claro das águas doces. Amarelo ouro das terras e areias. Verde escuro das matas. Laranja do fogo. No centro a prata de Pacha – universo, mundo, tempo, lugar em língua quíchua. Estrela apoiada em dois círculos. Círculo interno em lilás como povos em movimento. Círculo externo rosado, as culturas guardando a estrela.

Mais conversas, agora na intenção de desenho revisto, repensado e redesenhado. De um tabuleiro com peças fixas e soltas, a um objeto com todas as peças soltas, a serem conectadas e desconectadas, contando com tiras para diferentes possibilidades de montagens e usos. Tabuleiro, figurino, mapa, barco, estrela. Brincantes como personagens-habitantes de diferentes dimensões de tempo e espaço, entre o real e o onírico. Como Oiticica e a proposta de vestir arte, vestir-se e dar movimento ao objeto experimentando invenções, recriando-o.

 

 

 

 

 

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