Rocinha ontem e hoje

A Rocinha é ampla e com muitas histórias a serem descobertas, desvendadas, recontadas. Encontramos pontas de fios dessa longa História em cada canto. Como juntá-los?

O Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha vem desenvolvendo um levantamento sócio-cultural que visa facilitar a junção de muitos desses fios. Paralelamente, vem atuando junto a escolas públicas, comunitárias e particulares através de oficinas brincantes para educadores e crianças proporcionando a ampliação de reflexões e debates com vistas a visualização de novos e desafiantes caminhos para a educação.

O projeto Rocinha ontem e Hoje: Histórias Brincantes foi implementada pelo Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha, em 2007, através do primeiro edital da Ação Griô Nacional tendo como escola parceira o CIEP Dr. Bento Rubião, localizado na Curva do S, Rocinha.

À sombra de um jambeiro, em um ambiente cheio de crianças brincando em algazarra, a equipe do Centro Lúdico reuniu-se com griôs, mestres de tradição oral, para conversas tarde adentro.[1] Histórias da formação e do crescimento da Rocinha e da possível existência de um quilombo em suas origens. Brincadeiras que foram esquecidas e outras que se atualizaram incorporando os tempos de hoje. Causos de seres assombrosos vistos pelos caminhos da comunidade. Brinquedos artesanais feitos com materiais disponíveis. Bichos, árvores frutíferas, ervas que curam e não mais são encontradas. Fontes de água limpa, cachoeiras. Entre tantas lembranças desenroladas como um novelo, passo a passo os griôs definiram sua forma de caminhar. Jovens, agentes cultura viva, repassaram suas vivências arteiras de infância e juventude e se inseriram na ação como conectores entre gerações.

Na escola parceira, as crianças da Educação Infantil contaram sobre suas brincadeiras e descreveram a localidade onde moram nesse intrincado emaranhado de ruas, becos e escadas que é a Rocinha.


[1] Mestres dos saberes, cujo conceito abrange o “abrasileiramento” da palavra francesa griot, usada por jovens africanos que foram estudar em universidades francesas. Traduz a palavra Dieli na língua bamanan do Mali, noroeste da África.  O “Velho Griô” é um contador de histórias, ou um músico, ou ainda um poeta, um artesão ou artesã que “aprende e ensina cultura”, as histórias de seu povo http://www.cultura.gov.br/programas_e_acoes/cultura_viva/noticias/materias_especiais/index.
O griô é um caminhante, é um educador popular que aprende, ensina e se torna memória viva da tradição oral. Ele é o sangue que circula os saberes e histórias, as lutas e glórias de seu povo dando vida à rede de transmissão oral de uma região ou país. Já o mestre é um sábio, curador, iniciador das ciências da vida, das artes populares e dos ofícios artesanais (revista Ação Griô Nacional – 2007).