Pressupostos

  1. O ato de brincar cria laços estruturando e fortalecendo os elos da criança com si própria e com o mundo a sua volta.

“Etimologicamente, brincar vem do verbo latino vinclu (de onde se derivou vincro, depois vrinco, daí brinco), que significa laço.” (Dim: as artes de um brincante)

O ato de brincar é o canal através do qual a criança interage com o que está a sua volta vivenciando e partilhando suas descobertas, conquistas, sentimentos, superando obstáculos e reformulando permanentemente sua relação com o mundo. O caráter lúdico está presente nas ações da criança (re) significando o mundo.

Assegurar o direito de brincar, em todas as idades e em especial na infância, é assumir o compromisso com uma vida prazerosa, solidária e compartilhada.

Brincar é vital para a saúde do indivíduo de qualquer idade, etnia, religião ou contexto social pois significa a capacidade de enxergar e vivenciar a possibilidade de transformação de uma sociedade ameaçadora que se mostra sem perspectivas de solução.

  1. Brincando, a criança recebe e transmite valores éticos e morais correspondentes ao grupo social onde está inserida.

  2. O ato de brincar permite a celebração das diferenças, evitando que a diversidade de línguas, etnias, valores ou níveis econômicos transformem-se em obstáculos difíceis de serem transpostos.

O ato de brincar é gerador de afeto, companheirismo e alegria.

“O brincar não é exclusividade da criança; a criação da cultura tem sua origem na atividade lúdica do homem que dispõe os elementos que tem diante de si atribuindo-os uma ordem.” (Huizinga / tese Adelaide pg. 144)

  1. O brincar, entendido como um espaço de invenção e reinvenção permanentes, aproximado da arte e suas diferentes linguagens, faz-se de trocas dialógicas que ampliam a leitura crítica do mundo.

 As diferentes linguagens – literária, musical, plástica, cinematográfica, corporal,  teatral, poética – abrem um leque de possibilidades de criação e opções expressivas na comunicação do indivíduo consigo mesmo e com o outro.

Criar é um processo dinâmico que gera o novo e semeia a memória (afetiva, cognitiva e corporal).

“Poesia, para ser séria, tem que ter a seriedade do brincar.” (Manoel de Barros)

  1. A literatura é um recurso capaz de levar à reflexão sobre os conflitos sociais e psicológicos através da promoção do diálogo, da troca de ideias e da aquisição de novos conhecimentos.

  2. As bibliotecas, as brinquedotecas e espaços similares são pólos de educação e criação, que garantem o direito de brincar e aprender; são espaços de convivência que facilitam a criação de elos com a vida.

A casa, a escola, os centros culturais são espaços formadores na vida da criança; locais de referência, de vivências, devendo configurar-se em espaços de brincar, criar e aprender.

 “Todo o espaço realmente habitado traz a essência da noção de casa… A casa é uma das maiores forças de integração para os pensamentos, as lembranças, os sonhos do homem… Sem ela o homem seria um ser disperso… e sempre, nos nossos devaneios, ela é um grande berço.” (A poética do espaço – Bachelar)

  1. Os espaços educadores devem estar comprometidos com um processo formador crítico, criador, transformador e libertador.

Aprender pressupõe liberdade de escolha. Há que se aliar o brincar e o aprender, pois sem o prazer, existente no ato de brincar, o aprendizado torna-se árido e estéril.

 “A educação libertadora é incompatível com uma pedagogia que, de maneira consciente ou mistificada, tem sido prática de dominação. A prática da liberdade só encontrará adequada expressão numa pedagogia em que o oprimido tenha condições de, reflexivamente, descobrir-se e conquistar-se como sujeito de sua própria destinação histórica.” (Paulo Freire)

A mídia não esteriotipada, sensacionalista ou discriminatória, aberta à diversidade de opiniões, ideias, fatos e culturas, através de seus instrumentos como jornal, TV e rádio, deverá ser importante aliada no processo libertador da educação. (Artigo 58 do Estatuto da Criança e do Adolescente)

  1. Os educadores e dinamizadores, atuantes em espaços formais e não formais de educação, devem considerar, como parte integrante do processo educacional e formador, a vivência cotidiana das crianças e das comunidades onde estão inseridas.

  2. A noção de Rede configura-se como lócus de articulações e alianças comunitárias para a defesa e garantia dos direitos da criança e do adolescente.

  3. A sociedade articulada tem no Estatuto da Criança e do Adolescente um instrumento a ser utilizado para a promoção de direitos e o exercício da cidadania.
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