Núcleo de Educação Infantil

As exigências apontadas pela nova Lei de Diretrizes e Bases em prazo final de cumprimento, gerou angústia, aflição e dúvidas nos responsáveis pelas creches e pré-escolas da comunidade. Inúmeras questões começaram as ser levantadas e ações pulverizadas começaram a ser acionadas. Com o intuito de unir os profissionais que atuam com as crianças da comunidade da Rocinha, de esclarecer dúvidas e formular propostas conjuntas, a ASPA propôs, com o apoio do Ciespi, o seminário A Educação Infantil e as Mudanças na Legislação. Tendo como convidadas duas profissionais da área, Maria Luzinete Martins Pereira da Rede de Educação Infantil Comunitária e Mariângela Monteiro professora do Departamento de Psicologia PUC-Rio, o encontro trouxe à tona a História da educação Infantil na Rocinha tem sido encabeçada por um grupo de representantes de seis  instituições da comunidade.

O projeto Rede Brincar e Aprender (CIESPI/PUC-Rio) projeto, em seu polo na Rocinha, promoveu, através da Brinquedoteca Peteca (ASPA), a criação de uma rede de instituições de educação infantil estimulada, promovida e fortalecida através de oficinas, seminários e encontros.

Os vários encontros promovidos geraram a formação do Núcleo de Educação Infantil da Rocinha (NEIR) formado por representantes das instituições: Creche-ASPA (Ação Social Padre Anchieta), Creche Maria Maria, Centro de Recreação Lápis de Cor, Creche Primavera, Escola Moranguinhos, Pintando o Sete, Centro de Recreação Catavento Mirim, Creche-Arte Tio João.

Além de encontros sistemáticos para troca de ideias e visualização de perspectivas e ações conjuntas, integrantes do núcleo e representantes de outras instituições de educação infantil da Rocinha, participaram em julho de 2004 do I Seminário de Educação Infantil Comunitária, Solidária e Transformadora, realizado na antiga Casa do Estudante do centro da cidade e na UERJ. Promovido pelo CAMPO (Centro de Assessoria ao Movimento Popular), o seminário contou com a participação de educadoras comunitárias do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense e representantes de associações de creches, NUCREP de Nova Iguaçu e ARTECRECHE de São Gonçalo. O encontro teve como objetivo diagnosticar a educação comunitária a nível estadual. Das discussões e reflexões surgidas foi elaborado um documento Breve histórico da educação infantil na Rocinha que contou com a consulta a sites, a documentos e publicações existentes no acervo da ASPA, bibliografia específica, a realização entrevistas com moradores e educadores e depoimentos dos participantes do núcleo. Após sua estruturação, foi marcado para o dia 06 de novembro de 2003, na Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem (local central e de referência na Rocinha) um encontro para a distribuição do documento para as 50 instituições de educação infantil localizadas e contatadas pelo NEIR através de um levantamento preliminar de instituições. Estiveram presentes representantes de 15 (quinze) instituições locais. A intenção é que esse histórico viesse a ser partilhado por profissionais de diferentes áreas atuantes na comunidade e interessados no assunto, e acionasse uma ampla discussão em torno da educação infantil, incluindo a importância do lúdico no processo de aprendizagem, a integração entre educação-cultura-saúde e família-escola-comunidade. Como estratégia de apresentação do documento e abordagem dos diferentes aspectos nele sinalizados, Aurélio Mesquita do Teatro Roça caça Cultura foi convidado para orientar uma oficina de teatralização envolvendo todos os participantes.

O núcleo de Educação Infantil da Rocinha, ativo entre 2003 e 2005, passou por um período de desarticulação em 2006. O cotidiano turbulento, somados a necessidades emergenciais e pontuais, acionou um período de fragmentação e individualização. A rearticulação, sempre lenta, mas possível, faz parte de um mosaico de ações que se interpenetram.

Em setembro de 2007, a articulação foi reativada através da Jornada de Educação e Cultura proposta e promovida pela parceria ASPA-CIESPI. Como síntese dos vários encontros realizados destacam-se as seguintes questões e propostas:

Reconstrução do movimento de Educação na Rocinha; movimento de alerta, de busca, de inovação olhando para o passado e por uma educação que valorize o ser humano;  Construir coletivamente a Educação de hoje na Rocinha à luz das conquistas e lutas comunitárias e inserida no momento histórico do país; refletir e debater sobre possíveis caminhos que facilitem o diálogo entre família – educação infantil – poder público; refletir sobre: O que as crianças acham da escola? O que aprendem? Para que servem (ou vão servir) os ensinamentos? Onde o brincar no cotidiano da Educação? Como se estrutura o tempo para estudar, realizar afazeres domésticos, trabalhar, brincar?; lutar por uma educação mais humana (plano de desenvolvimento do ser humano).

breve-historico

 

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