Nascimentos

Por Antônio Carlos Firmino

A Rocinha nasce lúdica na sua topografia, ontem, hoje e sempre.

Do alto morro de seus dois lados uma vista para as lagoas, lagunas e o mar.

Antes um lugar onde crianças nativas brincavam na  franja da exuberante floresta com  suas belezas de rios e cachoeiras.

Depois de seu reflorestamento pelos escravos africanos, as crianças afro-brasileiras, moleques, usavam a ludicidade para driblar os açoites e assim construir a resistência e sobreviver na perspectiva de algo novo.

No surgimento da comunidade da Rocinha, a ludicidade permaneceu sempre presente, não tinha como ser diferente. Nossos ancestrais lá atrás já mencionavam sobre a topografia que contribuía para diversas formas de brincar, se divertir.

A Rocinha nasce entre os relevos que em muitas partes até parecem brinquedos como um escorrega, em outra parte uma gangorra, ou até mesmo uma grande montanha russa. Assim é a Rocinha. Os mais velhos falam que ali se brincava de muitas coisas: piques, usar a estrada da gávea para corridas de carrinhos de rolimã…

E vamos brincando,

inventado brinquedos e brincadeiras, o novo e a liberdade

com pedaços de madeira, latas, canos plásticos e arame,

o que tiver na frente vira uma objeto de brincar.

Meninos e meninas, entram em beco, saem em beco.

Opa!!! Na laje não vale, vale sim!

E seguem as brincadeiras…

Pique-esconde, Pega, Alto e baixo, agora vamos de escolinha,

Passa anel.

Quem lembra de uma música?

E passa por um passa por outro…

HUUU….. Chapeuzinho…

Cuidado! Não chuta muito forte,

pode cair na casa do Zequinha, ele as vezes não entrega.

É só subir no pé de Jamelão e pular o muro que dá para pegar.

Assim seguem as diversas formas de brincar,

tudo isso era uma vez…

Assim meus amigos, assim que os mais velhos contavam.

E hoje a gente quase que faz as mesmas coisas.

Rocinha brincante ontem, hoje e sempre.

Brincar… brincares… São artes integradas, não existe idade; são estados de espírito!!!

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