Desvendar brinquedos e anunciar infâncias

Por Nathercia Lacerda

Os brinquedos artesanais que compõem o acervo do Ponto de Cultura Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha foram criados no âmbito dos projetos Rede Brincar e Aprender e Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha, desenvolvidos pelo CIESPI – Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância em parceria com profissionais e articuladores da educação e da cultura de diferentes comunidades do Estado do Rio de Janeiro.

Criados e confeccionados por mãos e olhares de muitos, são como guardiões de histórias recolhidas por onde passam. Histórias que caminham juntas formando uma história única que une pessoas, lugares, fazeres e saberes. Histórias brasileiras que começam a se misturar com histórias de fronteiras da América Latina.

São como mensageiros de notícias, de modos de viver, do que está latente em cada grupo e que emerge através do brincar. Em cada novo lugar por onde circulam, as notícias de outros lugares e pessoas chegam e outras tantas se agregam. Brinquedos como conectores e como mensageiros dos diferentes povos, das diferentes infâncias. Brinquedos-Arautos.

O acervo é composto por brinquedos singulares, versáteis em sua forma de uso, em sua maioria sem regras previamente definidas, que possibilitam a expressão livre e criadora – um convite à descoberta e à experimentação; brinquedos únicos confeccionados com materiais simples, criados na convivência entre adultos, jovens e crianças, explorando cor, textura e movimento.

Tais brinquedos trazem consigo as histórias das pessoas e dos lugares onde foram criados; retratam as diferentes culturas espalhadas pelo Brasil que se manifestam e se reproduzem na maneira de brincar das crianças. Por onde passam, manuseados e recriados, principalmente por crianças e jovens brincantes, lançam perguntas várias: Como brincam as crianças de cada lugar? Quais os espaços de brincar, curiosar e experimentar? Como essas brincadeiras se conectam com a ancestralidade? Como esses brinquedos e brincadeiras refletem e dialogam com a cultura e a história de cada grupo?  O que dizem o brinquedo e o brincar sobre a história e os contextos sociais? O direito de brincar se conecta com que outros direitos fundamentais?

Em itinerância, seguem os brinquedos levados pelo grupo saltimbanco de jovens, artesãos, artistas e educadores da Rocinha. Seguem despertando espaços de convivências, desvendando formas de olhar e estar no mundo, criando novos objetos contadores de histórias e modos de viver, anunciando infâncias.