Apareceu o Jacaré, olêê, olê, oláá

Por Lucas Pablo S. de Oliveira

Certa vez, em mais um dia de atividades da Ação Griô no CIEP Dr. Bento Rubião, localizado na curva do S, Rocinha, Tio Lino e Martinha (ambos Griôs do Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha), contavam às crianças sobre como era a Rocinha na época em que ambos eram crianças.

  • A Rocinha não tinha ruas e nem casas de tijolos. Era tudo mato e tinham poucas casas. Algumas só de madeira e outras de pau a pique, dizia Tio Lino às crianças.
  • É verdade, naquela época se brincava muito, pois ainda tínhamos muitos espaços. Cachoeira, muitas árvores com fruta. Hoje só achamos árvores com fruta no Laboriaux e no alto da Dionéia, completou Martinha.
  • Casa de pau a pique? O que é isso? Perguntava uma das crianças.

Tio Lino e Martinha então explicavam:

  • É uma casa feita com ripas de madeira e barro entre elas. Dizem que ainda há uma dessas na Rua 4, aqui na Rocinha. O que sabemos é que há muitas casas assim ainda lá no nordeste. Quem é de lá sabe.

 E Martinha, que era bem nova naquela época, disse se lembrar dessas casas.

As crianças, cada vez mais envolvidas na conversa, tentavam ver tudo aquilo na Rocinha atual cheia de prédios e inúmeros estabelecimentos comerciais. Sem falar do trânsito que só quem mora pra entender.

Foi aí que Tio Lino nos contou uma coisa que até eu fiquei impressionado:

  • Vocês sabiam que aqui na Rocinha antigamente havia um pântano cheio de jacarés? Era na parte baixa, entre São Conrado e Rocinha. A praia naquela época vinha até o pé da comunidade. O pântano era onde é hoje o Prédio Dr. Rinaldo de Lamare, da prefeitura.

NOSSA! Como seria isso? Jacarés onde hoje mal se vê casas com telhado! São somente prédios e mais prédios! Todos ficaram curiosos pra saber mais, porém aquele dia de atividades tão rico estava chegando ao fim. E as crianças, por mais que tivessem prestado atenção em tudo o que Tio Lino e Martinha contaram, ainda se perguntavam: Casa de pau a pique? Jacaré?

Foi então que Tio Lino teve uma ideia. Mostrar para as crianças exatamente como era o que ele havia contado. A casa de pau a pique e o jacaré, então, se tornaram reais, nascidos da imaginação de cada criança e do mestre Tio Lino.