A criança foi o elo

Rio de Janeiro, 19/06/06

Envio esta carta para Nathercia e sua irmã. Embora trabalharmos com brinquedos, cada uma tem seu perfil. Nathercia e sua irmã mais na área de construção e pesquisa, eu com brincadeira livre e jogos industrializados, mas quero deixar bem claro que pra mim foi um ganho conhecê-las, pois temos muita coisa em comum em relação ao lúdico. Não podemos esquecer que esta amizade se deu através das crianças da Rocinha que estudam no Horto e que também faziam parte da Brinquedoteca Peteca que funciona há 19 anos na ASPA (Ação Social Padre Anchieta).

Acredito que as crianças tenham uma grande parte de responsabilidade por termos nos conhecido e estarmos até hoje desenvolvendo um trabalho junto.

No início, fazíamos um trabalho com as crianças consertando carrinhos de madeira, e até construindo alguns para deixar no acervo da brinquedoteca. Chegamos a fazer oficina de pintura no pátio da ASPA (Ação Social Padre Anchieta) junto com as crianças da Banca do Saber. Fomos tomando rumos diferentes, mas nunca perdendo a essência do lúdico.

Hoje faço uma atividade bem diferente e desafiante através do Centro de Cultura e Educação Lúdica da Rocinha com a Carla e os jovens. Estou relatando isso porque acho muito importante que alguém tenha os mesmos objetivos com olhares diferenciados. E pude experimentar outras atividades bem legais com os adolescentes do Colégio Inácio Azevedo do Amaral.

Às vezes fico a me perguntar: Se não fossem as crianças teríamos nos conhecido? Talvez sim, talvez não.

Hoje valorizo muito o ato de se conhecer alguém e o quanto isso pode ter um significado especial em todo o desenvolvimento de seu trabalho, sem que se perca a direção das atividades lúdicas.

Espero que esta carta venha trazer pontos positivos para esse nosso encontro.

Marta